Protagonista na culinária mediterrânea, o óleo de oliva também não pode faltar no prato das brasileiras. Afinal, ele abriga substâncias que protegem contra um dos tumores mais agressivos que acometem as mulheres.
O fio de azeite extra virgem, que vai bem em saladas e pratos quentes, regando o corpo de benefícios como proteger o coração, dá provas de ser capaz de outra façanha: prevenir o câncer de mama. Ela acaba de ser observada em um dos laboratórios da Universidade de Granada, na Espanha. Ali, bem diante dos olhos dos cientistas, seus componentes inibiram a expressão de um gene, o HER2, que dispara a forma mais insidiosa da doença.
“As lignanas e os secoiridoides, moléculas que fazem parte do grupo de polifenóis presentes no azeite, degradaram a proteína responsável por acionar os comandos desse gene”, descreve aos leitores de SAÚDE! o químico Antônio Segura-Carretero, um dos responsáveis pela investigação, conduzida pelo pessoal de Granada em parceria com outros centros de pesquisa espanhóis.
O médico Fernando Moreno, da Universidade de São Paulo, simplifica o que seria esse mecanismo: “Em níveis normais, a proteína associada ao HER2 regula a multiplicação das células mamárias”, diz ele, que pesquisa a relação entre a dieta e o câncer. “Em excesso, porém, ela acelera a proliferação celular, contribuindo para o surgimento de tumores”. É aí que entram os polifenóis. Implacáveis, eles aniquilam o excedente da tal proteína, restabelecendo o equilíbrio.
Em tese, essa proeza tornaria o azeite aliado inclusive das mulheres que enfrentam um câncer desses. “Desacelerar a atuação do HER2 significa dificultar o crescimento de um tumor já existente”, diz a nutricionista Andressa Neves, do Hospital ª C. Camargo, em São Paulo.
Nem Andressa nem os espanhóis sabem afirmar, por enquanto, qual deverá ser o consumo diário para tirar esse proveito. O que todos os pesquisadores do mundo têm absoluta certeza é de que uma porção moderada de óleo de oliva diariamente faz bem no sentido de afastar a doença ou evitar que avance rapidamente. Até porque os polifenóis têm outra propriedade importante: “São tremendos antioxidantes, isto é, barram os radicais livres”, lembra o farmacêutico-boquímico Jorge Mancini, da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, em São Paulo. Esses radicais, ao longo do tempo, danificam o DNA – e a ciência sabe que esses danos, somados, representam o início do caos, que é o câncer.
Outra certeza é de que, do ponto de vista da prevenção de tumores de mama, de nada adianta se empanturrar de qualquer azeite. “Só vale o extravirgem, aquele puro, extraído a frio”, ensina a nutricionista Sílvia Cozzolino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. “Os outros azeites passam por aquecimento e processos industriais que inativam parte dos polifenóis”, justifica. Também não adianta comer um peixe mergulhado no ingrediente hoje e nadica de óleo de oliva no dia seguinte: o consumo de extravirgem para as mulheres que se cuidam deve ser contínuo, ou seja, um fio deliciosamente derramado sobre o prato de todo dia.
NA HORA DO PREPARO
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Os polifenóis do azeite extravirgem não gostam de calor. Não significa que está limitado às saladas. “Você pode acrescentá-lo nos instantes finais do cozimento ou nos pratos pratos quentes já prontos, à mesa”, sugere Andressa Neves. “Pelo mesmo motivo, esqueça a idéia de usá-lo em frituras”, completa Sílvia Cozzolino.
Mais um detalhe fundamental: os tais polifenóis também adoram um escurinho: “Se vai levar o almento preparado com azeite à geladeira – uma salada, por exemplo -, coloque-o em um recipiente que não seja translúcido e cubra-o com papel-alumínio até a hora de servir”, ensina Andressa.
Fonte: Revista Saúde - Edição: Fev/2009
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