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As gorduras boas e ruins para o nosso humor

As gorduras boas e ruins para o nosso humor


Esqueça aquela história de afogar as mágoas devorando um sorvete ou um pastel. A tática piora a situação e, agora, isso está provado cientificamente. E atenção: não só porque engordam, abalando de vez a autoestima, mas também pelo fato de estarem associados à depressão. "Os ácidos graxos trans, presentes nessas comidas, aumentam em até 50% o risco de depressão", revela a epidemiologista Almudena Villegas, da Universidade Las Palmas, na Espanha, que pesquisa a substância há anos e acaba de divulgar seu último trabalho. "Quanto maior a quantidade ingerida, maior o risco de ficar deprimido", diz.
Os ácidos graxos trans são encontrados em gorduras vegetais hidrogenadas, margarinas sólidas ou cremosas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, pães, batatas fritas, pastelarias, bolos, tortas, massas, entre outros alimentos. Uma vez dentro do corpo, ela possui ação hipercolesterolêmica, elevando o colesterol total e o mau colesterol (LDL-c), e ainda reduz o bom colesterol (HDL-c) resultando em significativo aumento na relação da LDL-c/HDL-c, além de estarem associadas à depressão. As gorduras trans dificultam a comunicação entre as células nervosas, porque envolvem a membrana do neurônio e o tornam menos fluido.Felizmente a equipe dirigida por Miguel Ángel Martínez-González, catedrático de Medicina Preventiva da Universidade de Navarra, analisou também a influência das gorduras poli-insaturadas - abundantes em pescados e óleos vegetais - e as do azeite de oliva. Elas beneficiam o cérebro por agirem como antioxidantes e anti-inflamatórios, combatendo os radicais livres que promovem inflamações pelo corpo, dessa forma protegem o endotélio contra o ataque das gorduras maléficas e ainda por facilitarem o encaixe da serotonina a seus receptores cerebrais, agilizando a transmissão dos impulsos nervosos. Todos esses mecanismos evitarão falhas que podem desencadear o transtorno chamado depressão, uma vez que alterações neuroquímicas, sobretudo o desequilíbrio das funções dos neurotransmissores, estão relacionadas ao desenvolvimento da doença.
Uma simples escolha alimentar pode ser seu aliado para o bem estar e equilíbrio emocionais. Prefira alimentos ricos em gorduras poli e mono – insaturados, tais como, abacate, salmão, sardinha, arenque, cavala, azeite de oliva, óleo de girassol, linhaça, entre outros. Mas cuidado! Não achem que a fritura do final de semana é responsável por qualquer baixo-astral. "A enfermidade tem várias causas, e o que a caracteriza não é apenas o maior grau de tristeza", esclarece o psiquiatra José Romildo Bueno, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria. "O deprimido perde as expectativas, vê-se sem horizontes, sente-se impotente, incapaz e tem elevado grau de pessimismo." Além disso, sofre com a perturbação dos estados de sono e de vigília, com a alteração do apetite e da libido, com a perda de concentração e com a sensação de que o tempo não passa.
Vale o alerta, no entanto, de que mudar a composição do prato não soluciona o problema, caso ele já tenha marcado presença. "Uma dieta mais equilibrada ajuda, mas não acaba com a depressão. O tratamento nutricional deve ser coadjuvante dos métodos tradicionais", alerta o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. E, se dá para comer e ficar mais feliz, por que não tentar?
OUTROS NUTRIENTES DO BEM-ESTAR

Assim como as gorduras insaturadas, eles melhoram a ação dos neurotransmissores e evitam o mau humor

FOLATO
A deficiência dessa vitamina contribui para falhas na fabricação de neurotransmissores, principalmente a serotonina, que dá um barato natural.

TRIPTOFANO
Esse aminoácido é precursor da serotonina. Sem triptofano, a produção dessa substância é insuficiente.

B6
A vitamina entra na receita das enzimas responsáveis pela síntese de substâncias químicas nervosas que regulam nosso estado de espírito.


B12
Atua na prevenção dos sintomas da depressão e ajuda a afastar os pensamentos negativos e a fadiga provocados pela doença.

ÔMEGA-3
“Essa gordura melhora a transmissão neuronal e a capacidade do sistema nervoso de se adaptar a alterações", explica a nutricionista Luciane Felix, do Conselho Regional de Nutricionistas do Distrito Federal. Além disso, o ômega-3 dá um chega pra lá em substâncias por trás de inflamações. As futuras mamães têm de caprichar no consumo de suas fontes. Isso porque esse ácido graxo tem participação crucial no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê.


Extraído e adaptado de:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732002000300010
http://saude.abril.com.br/edicoes/0335/nutricao/gorduras-felicidade-depressao-622946.shtml?pag=3




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